quarta-feira, 31 de março de 2010




Resignar à função de encontra função alguma. Caminhar para um mundo branco de formas lisas e matematicamente puras. Entrar descalço no frio. Gelado. Porção de céu para entrar. Descalçar a pele debaixo dos pés às camadas e destacar películas até encontrar a carne ainda viva. A polpa dos dedos enterra levemente nesta neve do fim dos dias. Apareceu. Desaparecera daqui e entrara noutro mundo. Desalinhamento. Cercar com uma linha fina o desespero na borda de uma mesa num bar decrépito. O azul desta vez ficou por baixo. As nuvens voltaram a ser azuis num céu branco incandescente como dantes se desenhavam num desenho de criança. Cego da sede de ver, este céu e chão reflecte tudo e não deixa ver nada. Linhas azuis e esbatidas formam desta vez os contornos de tudo. Dos corpos, dos copos na mesa, das garrafas no chão. O vermelho aparece de vez em quando. Um sapato ‘red shoe’ em cima de uma mesa já vazia de nada. E uma pessoa à espera de se servir. O sapato é demasiado grande para ele. Espera que caía outro mais pequeno e entretanto vai cegando pelo branco. A noite deixou de existir. Uma poeira cai sempre por volta das 21 horas. Fuligem. Dizem eles. Sedimenta uma camada de coisa nenhuma que cobrem tudo e não deixam ver nada. É sempre assim. Durante duas horas um nevoeiro de bocados raspados de cima cobre a vista e arde nos olhos. Já cansados do branco incadencente do dia. Estava assim. A criatura a que não me apetece agora dar nome, Sentado. O arlequim e um homem gordo cercavam a sala e cobriam as saídas.

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