quarta-feira, 31 de março de 2010

Manhã de 2ª




Num desse dias em que não conseguia dormir,
Fui à janela cheirar o vento que batia os estores na janela e não me deixava dormir…
Olhando, deslizaram para baixo os óculos que caíram para a rua.

Deixei então de ver (sou mesmo muito míope). Sem óculos não conseguiria encontrar o caminho para a porta de casa, porque mesmo de dia estava tudo às escuras (para dormir melhor). A maneira mais fácil era saltar para fora. Saltei. Do segundo andar. Aproveitei o toldo do café do Sr. Rocha para suster a minha queda e cai na calçada. Mesmo em cima dos óculos. Estavam partidos!...

Fiquei com umas feridinhas no joelho com bocados de pedra enterrados no sangue pisado e as partes gordas da palma da mão todas escalavradas. Nunca poderei saber se os óculos se partiram pela queda ou por ter caído em cima deles. Nunca poderei realizar a queixa por escrito contra os serviços da câmara que regulam o vento ou a empresa que me instalou os estores…

Com o entorpecimento da queda já não ouvia os estores a bater. Encostei a cabeça no degrau que dá para o café do Sr. Rocha. Dormi. Era dia de semana. O bairro onde moro é um dormitório e não passa ninguém na rua (anda tudo de carro). E ainda para mais o café do Sr. Rocha estava fechado - era segunda feira.

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